segunda-feira, 27 de abril de 2026

O Êxodo Urbano Chinês

 A China construiu cidades que parecem o futuro, mas para a geração que deveria herdar esse futuro, o custo de entrada se tornou proibitivo. Por que jovens com diplomas de elite estão trocando arranha-céus por plantações de chá? Hoje vamos entender a matemática por trás do colapso do sonho urbano chinês.

O salário da classe média estagnou, mas o custo de vida (aluguel, educação, saúde) continuou subindo. Trabalhar no sistema "996" não é mais uma garantia de ascensão social, mas apenas de sobrevivência.

Para quem não sabe o que significa sistema "996", é a carga horária de trabalho que vai de 9h da manhã às 9h da noite durante 6 dias da semana e foi visto como o "pedágio" necessário para a ascensão social da China, em especial, entre as décadas de 2000 e 2010, mas que ainda hoje é usado.

Para fugir da pressão dos trabalhos e do sistema 996, os jovens chineses criaram alguns movimentos interessantes, como o Tang Ping (躺平) que é o mesmo de "Ficar Deitado", onde os adeptos optam por reduzir seus compromissos de trabalho, evitam promoções ou empregos de alta pressão, vivendo com o mínimo necessário em resposta ao esgotamento mental.

Outro movimento semelhante é o "Bai Lan" (摆烂) que é o mesmo de "Deixar Apodrecer", enquanto o Tang Ping é sobre não se esforçar para atingir metas, o Bai Lan é mais extremo, indicando uma aceitação passiva de que tudo já deu errado.

Um dos pontos do "Bai Lan" é deixar que problemas financeiros ou sociais se aprofundem sem tentar resolvê-los.

As autoridades veem essa tendência como ameaça direta aos objetivos de desenvolvimento econômico e social do país, as discussões foram fechadas na internet e a mídia oficial publica frequentemente editoriais criticando a filosofia, chamando-a de "vergonhosa" e incentivando os jovens a manterem a "luta" e o otimismo.

Outro problema é a taxa de desemprego juvenil que está alta, chegando a 16,6% em março de 2026, principalmente por causa da automação com IA.

Com toda essa tensão, mais de 70% dos jovens consideram o campo mais atrativo, devido ao ritmo de vida mais lento e menor pressão, indica uma pesquisa.

Juntando tudo isso e com incentivos do governo para que os jovens se mudem para o campo, cada vez mais jovens tem ido para o interior.

Lembrando que, embora crescente, ainda não é um movimento maior que os que querem ir para as cidades grandes  

Os jovens que estão indo para o interior, não estão indo apenas para a agricultura de subsistência, estão indo para abrir negócios e utilizam redes sociais para criar vínculos e vender diretamente ao consumidor, eles também abrem pousadas, cafés rurais, com isso, revitalizam vilas antigas.

Entre os criadores de conteúdo rural, cerca de 63% possuem ensino superior e 33% têm mestrado e doutorado, trazendo inovação tecnológica para o campo

O custo de vida no campo fica cerca de 70% mais barato, enquanto a renda (via internet) se mantém competitiva.

Entre os objetivos do governo chinês para desenvolver o campo estão, modernizar a agricultura, reduzir a desigualdade entre cidade e o campo, isso em relação a dinheiro e quantidade de pessoas, evitar que o interior envelheça rapidamente, evitar perder a população jovem e que entre em decadência econômica.

Para complementar, o governo investe em melhorar a infraestrutura, leva internet e digitalização e melhora os serviços públicos

O governo chinês está tentando incentivar esse "retorno ao campo" para aliviar a pressão nas metrópoles, mas será que isso reduz a pressão das empresas por resultado?

Como a TAXA BÁSICA DE JUROS (SELIC) mexe com seu bolso

 De tempos em tempos você ouve falar de Taxa Selic, normalmente sai em todos os jornais, com isso a gente pode concluir que é uma coisa muito importante, mas você pode se perguntar, o que isso influencia no meu bolso? Dá para gente ganhar dinheiro com isso?

Neste vídeo vamos ver como surgiu e como a Selic se tornou a taxa básica de juros da economia brasileira e como ela influencia o seu bolso.

A Selic, que antigamente era chamado de O Selic, é o nome de um Sistema do Banco Central do Brasil, sua sigla significa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, foi criado em 1979 para registrar e liquidar os títulos do Tesouro Nacional que antes era feito de forma manual e dava muito trabalho para garantir segurança e a confiabilidade.

O sistema Selic foi criado justamente para organizar o mercado de títulos públicos, dar ao governo uma forma mais eficiente de financiar a dívida e começar a estruturar uma política monetária mais moderna.

Mesmo após 1979, a Selic ainda não era “a estrela principal” da economia como hoje.

A Selic vira de fato a taxa básica de juros só a partir de 1999, quando o Brasil adota sistema de metas de inflação, política monetária moderna e decisões periódicas do Comitê de Política Monetária, o COPOM.

Apesar de parecer uma coisa meio teórica, a Selic influencia todas as taxas de juros cobradas no mercado e quem define a Selic é o COPOM, que nada mais é do que a direção do Banco Central que é o presidente e os diretores.

Eles se reúnem no mínimo 8 vezes ao ano, normalmente a cada 45 dias para definir a Selic. 

Funciona assim, as reuniões começa em um dia e são concluídas no dia seguinte, normalmente terça e quarta-feira. 

No primeiro dia são apresentados os dados técnicos como inflação atual e projetada, crescimento econômico, mercado de trabalho, cenário internacional.

No segundo dia os diretores discutem cenários, cada um propõem um nível de juros daí o grupo vota, a decisão é por maioria simples.

A divulgação é no final do segundo dia, geralmente após as 18 horas, nela é informada a nova taxa (subiu, caiu ou manteve), justificativa básica e indicação do que pode acontecer nas próximas reuniões.

A Ata da Reunião sai uma semana com tudo mais detalhado

Qual é o objetivo do Banco Central quando ele mexe na taxa básica de juros? Em resumo é controlar a inflação. 

Quando tem redução da Taxa Selic os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e cartão de crédito ficam mais baixos, com o crédito mais fácil, mais dinheiro começa a circular, as pessoas com mais dinheiro em mãos começam a comprar mais coisas e aumentando a demanda o preço das coisas começam a subir,  ter inflação.

Selic baixa aumenta o consumo, inflação e PIB

Quando tem aumento da Selic, o crédito fica mais caro, reduz o consumo e diminui o PIB

Ai o Banco Central avalia a melhor opção para manter a inflação dentro da meta. 

Essa meta inflação não é por acaso, ela foi criada em 1999 junto com câmbio flutuante e a meta fiscal, chamado tripé macroeconômico. 

Sendo o principal objetivo da meta de inflação evitar do período traumático de hiperinflação, da década de 80, quando em um mês só essa taxa chegava a superar 80%.

Ela tem como base o IPCA que é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que é uma cesta de produtos e serviços que são consumidos pelas famílias, o IBGE verifica os Preços desta cesta todos os meses.

A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional.Em 2025 o país passou a usar o modelo de meta contínua, a inflação é acompanhada mês a mês, pelo acumulado em 12 meses, a meta em vigor é de 3%, com tolerância de ±1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%), não há mais uma meta para um ano específico; ela permanece válida até nova decisão do CMN.

Veja o gráfico com a evolução da taxa selic desde 1999




A taxa Selic serve como base para as outras taxas de juros, quando a gente faz empréstimo, financia ou usa o cartão de crédito, estamos sendo impactado diretamente pelo valor da Taxa Selic e acabamos perdendo dinheiro.


Mas a gente  pode tirar proveito dessa taxa, fazendo investimentos, por exemplo na Nubank tem a caixinha do Nubank, que rende igual a Taxa Selic, acredito que em outros bancos também tem algo semelhante. E se você quiser ainda mais segurança pode investir direto no Tesouro Direto pois é o investimento mais seguro que a gente tem no Brasil atualmente.

Como a gente tem uma taxa de juros de quase 15%, jogando baixo, se por acaso você consegue ter um milhão investido, você conseguiria fazer R$ 10 mil reais por mês, sem fazer nada, só deixando o dinheiro lá parado.

Resumindo, o sistema Selic foi criado em 1979, passando a ser a taxa básica de juros em 1999 e servido como principal instrumento de política monetária usada pelo Banco Central e isso está ligado diretamente ao seu bolso, pode ser ruim para você financiar, usar cartão de crédito ou fazer empréstimo, mas pode ser muito bom para você fazer investimento em renda fixa.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

A DÍVIDA PÚBLICA do Brasil chega R$ 8,8 TRILHÕES, entenda

     8,8 trilhões de Reais, equivalente a 79% do PIB,  esse é o valor da dívida pública do Brasil em fevereiro de 2026

    Veremos a origem histórica da dívida pública, como é o seu funcionamento e os detalhes da dívida publica Brasileira.

    A ideia de dívida pública é bem antiga, mas o primeiro caso organizado e contínuo de dívida pública como conhecemos hoje, costuma ser atribuído à República de Veneza, por volta do século XII.

    Em 1171, Veneza precisava financiar guerras e despesas do Estado. Então o governo obrigou cidadãos ricos a emprestarem dinheiro, isso ficou conhecido como o sistema de “prestiti”.

    Com o tempo, esses empréstimos passaram a pagar juros ser registrados oficialmente e puderam ser negociados entre pessoas, ou seja, ficou muito parecido com o que temos hoje.

    A dívida pública funciona da seguinte forma, ela surge e aumenta sempre que o governo gasta mais do que arrecada.

    Quando os impostos e as receitas não são suficiente para cobrir as despesas o governo faz um empréstimo com o mercado, seria algo como pegar dinheiro emprestado ou usar o cartão de crédito, se bem utilizada aumenta a riqueza futura do país se for mal utilizada, trás inflação, crise e perda de confiança.

    O governo pega dinheiro emprestado emitindo títulos da dívida pública, basicamente, ele pega o dinheiro de um investidor hoje com a promessa de devolver esse dinheiro no futuro com juros. 

    Uma boa forma de utilizar dívida é quando o retorno do investimento é maior que o custo da dela, por exemplo, asfaltar uma rodovia, vai facilitar o comércio e com isso aumentar a arrecadação de impostos. 

    Além disso, é possível parcelar a dívida, no exemplo do asfalto da rodovia, se o valor é muito alto para pagar de uma só vez, com a criação da dívida, é possível parcelar o valor obra.

    Dívida também é essencial para financiar guerras, visando garantir a soberania e estabilizar crises, pois evita desemprego em massa e falência em cadeia.

    A forma incorreta de usar a dívida pública é pagar despesas sem retorno econômico, pois não gera crescimento, só aumenta o problema, usar dívidas para tudo, sem reformas e sem ajuste fiscal, isso costuma terminar em crise e utilizar pouca transparência, com má gestão e corrupção .

    Mas, há uma porcentagem ideal do Produto Interno Bruto(PIB) que uma dívida pode ter?

    Não existe um percentual "ideal" universal de dívida/PIB mas podemos encontrar algumas sugestões interessantes, embora na Europa a média de dívida pública seja de 88,2% do PIB no tratado de Maastricht estabeleceu que os países membros não deve exercer 60%.

    Há uma  um caderno de finanças públicas publicado pelo Tesouro Nacional Brasileiro em 2021 que fala que o nível ótimo de dívida pública deveria ficar entre 26 e 27% do PIB(https://publicacoes.tesouro.gov.br/index.php/cadernos/article/view/130).

    Muitos economistas falam que não existe um número mágico, o que importa é a taxa de juros da dívida, crescimento da economia e confiança dos investidores.

    Sendo a regra mais importante é se a economia cresce mais rápido que o juros da dívida, por exemplo, juros de 4% e crescimento de 6%, a dívida tende a cair ao longo do tempo.

    Agora que tivemos uma visão geral sobre dívida publica, vamos ver a situação do Brasil.

    O tamanho da dívida do Brasil é de 8,8 trilhões de reais atualmente, e a maior parte dela é interna isso é bom, maior parte dos países que quebram é por causa de dívidas em moedas estrangeiras.    

    Os títulos da dívida brasileira são comprados por diferentes tipos de investidores e o Tesouro Nacional divulga quem são eles, separando por grupos. 

    O maior grupo são bancos e instituições financeiras com 31,76%, para os bancos é um investimento seguro e rentável e para o governo, uma forma de conseguir dinheiro rápido.

    O segundo grupo são fundos de pensão com 22,59%.

    Os fundos de pensão administram o dinheiro de aposentadorias, é como se fosse um INSS, só que privado. 

    Esses fundos precisam garantir que lá na frente vão ter dinheiro suficiente para pagar as aposentadorias dos seus clientes. Então, para proteger esse dinheiro e fazer ele render, eles também compram títulos públicos. Afinal, o Tesouro Nacional é considerado um dos pagadores mais seguros do país. 

    O próximo grupo são fundos de investimento com 21,58%.

    Esses fundos funcionam como um condomínio, várias pessoas colocam dinheiro ali e um gestor decide onde aplicar. Pode ser em ações, imóveis ou títulos públicos. Se você colocou dinheiro em um fundo de investimento, muito provavelmente parte dele foi emprestado para o governo. A ideia é a mesma: ter parte do dinheiro rendendo em um dos investimentos mais seguros do país. 

    O próximo grupo são investidores estrangeiros com 10,75%.

    Aqui a gente tá falando majoritariamente de bancos e fundos internacionais e até governos de outros países que compram títulos da dívida brasileira. Mas por que eles fazem isso? Em parte porque eles querem diversificar os seus investimentos geograficamente, dividindo entre vários países. Aquela velha história de não colocar todos os ovos na mesma cesta, mas principalmente porque o Brasil costuma pagar juros muito mais altos do que os países desenvolvidos. E isso atrai investidores que estão em busca de retornos maiores, mesmo que para isso estejam correndo um risco maior. 

    O próximo grupo são seguradoras com 3,57%. 

    As seguradoras precisam estar sempre preparadas para pagar indenizações em caso de sinistro. Por isso, elas sempre têm bastante dinheiro em caixa. E para não deixar esse dinheiro parado, elas aplicam parte dele em investimentos seguros, como títulos públicos. que funcionam como um colchão de segurança para essas empresas. 

    Agora, o próximo grupo é governo com 2,57%.

    Aqui, nesse caso, são órgãos públicos que emprestam dinheiro pro governo. Um exemplo prático é o FGTS, que é um fundo gerido pelo governo e formado por depósitos de empresas para, na teoria garantir os direitos dos trabalhadores.

    Então, eles têm esse dinheiro disponível para investir e compram títulos públicos. Nesse caso, o FGTS, que é um órgão do próprio governo, passa a ser credor da dívida pública, porque na prática ele emprestou o dinheiro pro governo. E isso acontece também com fundos de previdência pública e outros órgãos públicos. 

    E o último grupo, o tesouro, classifica como outros, com 6,98%.

    Aqui entram principalmente pessoas físicas e jurídicas que investem diretamente em títulos públicos, especialmente por meio do tesouro direto. Esse grupo também pode incluir pequenas empresas, entidades filantrópicas, cooperativas e outros investidores que não se enquadram em nenhum dos grupos anteriores. Ou seja, é um grupo bem variado. 

    Sobre a dívida, a verdade é que ter dívida por si só não é um problema. Praticamente todos os países têm dívida pública. O problema é quando a dívida não para de aumentar e começa a sair do controle, como tá começando a acontecer no nosso caso. 

    O Fundo Monetário Internacional (FMI) nos alerta através de uma projeção, em relatório de abril de 2026, que a dívida pública bruta do Brasil alcançará a marca de 100% do PIB em 2027. Esse aumento é impulsionado pela piora no resultado primário e juros elevados, atingindo 96,5% do PIB em 2026 antes de chegar aos 100% no ano seguinte.

    Imagine esse cenário, o governo gasta mais do que arrecada, então o governo emite dívidas, depois o governo gasta mais do que arrecada de novo e as dívidas anteriores vencem, então o governo emite mais dívida para pagar a dívida anterior e depois o governo gasta mais do que a recada de novo. Agora imagina esse ciclo se repetindo ano após ano. É assim que começa o efeito de bola de neve que faz a dívida pública sair do controle. 

    E por que isso é um problema? Porque cada vez mais dinheiro do orçamento vai para pagar juros da dívida. Em 2025, 53,4% do orçamento foi usado só para pagar juros da dívida pública. Sim, mais da metade do dinheiro arrecadado pelo governo, vai precisar ser usado para pagar juros de dívida. E aí sobra menos dinheiro para saúde, educação, segurança. 

    Outro problema é que uma dívida fora de controle também eleva o risco de uma crise fiscal, que é quando os credores passam a duvidar da capacidade do governo de pagar suas dívidas, o que, por sua vez, força o governo a emitir dívidas pagando juros cada vez mais altos para compensar o aumento na percepção de risco dos investidores. E isso faz a dívida sair do controle cada vez mais.

    


domingo, 12 de abril de 2026

Como surgiu o dinheiro - e como o dólar virou principal moeda global

    Por milhares de anos, o dinheiro tem servido não só como meio de pagamento e de acúmulo de riquezas, mas também como unidade de conta, ou seja, como um sistema que nos permite fixar preços e registrar dívidas. 

    Vamos ver a fascinante história do dinheiro. Uma história que começou com objetos de argila, pedras, conchas e sementes e que evoluiu, ao longo de milhares de anos, para os complexos sistemas atuais, que usam o dólar americano como referência. 

    Há várias teorias sobre a Origem do Dinheiro. Alguns pesquisadores acham que quem inventou a figura do dinheiro foram os Sumérios, por volta de 3 mil antes de Cristo. Isso aconteceu na antiga Mesopotâmia, onde hoje fica o Iraque. 

    Os Sumérios registravam em argila a quantidade de cereais ou gado de uma comunidade, em uma época em que a vida se desenvolvia em Cidades-Estado como esta, Uruk, que já tinha desenvolvido um sistema comercial sofisticado. 

    Nas ruínas dessa civilização os historiadores encontraram pequenos objetos de argila, que serviam não só para a contabilidade de bens, eram usados também para fazer a troca por comida ou animais. Esses objetos não tinham um valor padrão, mas tinham inscrito o que poderia ser trocado por eles.

    Ao longo da história, comunidades e civilizações no mundo inteiro chegaram a usar conchas de praia como dinheiro. E os Maias e Astecas, nas Américas, faziam trocas usando sementes de cacau. Mas há quem ache que o dinheiro mais antigo da história humana seja outro: a cevada, usada pelos sumérios para a troca de produtos. 

    E outra corrente de historiadores, acha que esse papel na verdade cabia aos Siclos,  que não eram uma moeda como conhecemos hoje, mas sim uma unidade de peso usada antigamente em partes do Oriente Médio. 

    Dependendo do lugar, um Siclo podia pesar de 8 a 17 gramas e um exemplo de utilização dessa medida  está no código de lei da civilização Suméria (Ur-Nammu), que havia regras muito claras, como esta: “Se um homem quebrar o dente de outro, tem de pagá-lo com dois siclos de prata”. 

    As primeiras moedas oficialmente cunhadas por um governo surgiu por volta do ano 640 antes de Cristo em Lídia, na Anatólia, onde hoje fica a Turquia. Era feita de uma liga de ouro e prata conhecida como Electrum, enquanto os outros metais precisavam ser pesados a cada transação, essa moeda, além de personalizada já vinha com a marcação do peso, não precisando pesar a cada novo uso e facilitando o comércio.

    A cunhagem teve sucesso porque era capaz de produzir moedas duráveis, facilmente transportadas e que tinham um valor próprio. 

    Não demorou para que a moeda virasse um instrumento de controle político. Elas ajudavam a organizar a cobrança de impostos que sustentavam as elites, permitiam financiar os Exércitos e também expandir o comércio para além das fronteiras.

    Mas junto com elas circulavam outras formas de dinheiro. A palavra salário, por exemplo, vem do latim, salarium. No Império Romano, soldados e funcionários públicos eram pagos com sal, um produto muito valioso na época, porque servia para conservar os alimentos. 

    E quando surgiram as notas de dinheiro? Ao longo de séculos, a unidade monetária básica da China eram moedas de cobre ou bronze com uma perfuração quadrada no centro. Esse furinho permitia que as moedas fossem penduradas juntas, formando uma corrente. 

    Mas à medida que as viagens e o comércio foram se expandindo, a demanda por moedas cresceu rapidamente e o cobre começou a ficar escasso. 

    Foi na dinastia Song, no ano mil da era atual, na província chinesa de Sichuan, que foi emitido oficialmente o primeiro papel- moeda do mundo, era o “Jiaozi”, fabricado a partir do tronco de amoreiras. 

    Na aquela época, os governantes não queriam que as valiosas cargas de ouro e prata acabassem indo parar em terras estrangeiras, por isso, impuseram uma regra: só moedas feitas de ferro podiam ser usadas. 

    Mas as moedas de ferro eram tão pesadas que nem mulas nem carros de boi conseguiam levar cargas de grandes transações, foi assim que os comerciantes aderiram aos Jiaozi, que eram como uma nota promissória acordada entre as partes que faziam negócio. 

    Logo o governo tomou controle do sistema e transformou a nota em uma moeda oficial. 

    E como a gente chega no Dólar como referência mundial? 

    Quando a Segunda Guerra Mundial estava perto do fim, os governos aliados se deram conta de um problema: as economias estavam devastadas pelo conflito e se questionavam com qual moeda fariam o comércio internacional quando começasse a reconstrução. 

    Foi quando os representantes de 44 países se reuniram em um hotel de Bretton Woods, nos Estados Unidos, em julho de 1944, e negociaram o futuro das finanças e do comércio mundial no pós-guerra. 

    Os países europeus chegaram à reunião com profundas carências econômicas, enquanto os Estados Unidos, do outro lado, acumulavam as maiores reservas de ouro do mundo. 

    Foram 22 dias de reuniões, com intensas discussões regadas a uísque e charutos, como relata Ed Conway no livro A Conferência.

    Dois homens se enfrentaram num duro duelo intelectual: o britânico John Maynard Keynes, com sua utópica ideia de criar uma moeda comum mundial, chamada Bancor, e o americano Harry Dexter White, do Departamento do Tesouro, que acabou ganhando a batalha. 

    No fim de Bretton Woods, ficou estabelecido que o dólar americano seria a moeda oficial de transações internacionais. E as duas instituições criadas naquela reunião, que são o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, passaram a realizar empréstimos em dólar aos países em dificuldades econômicas depois da guerra. 

    Aquelas negociações moldaram uma arquitetura financeira global que, em grande parte, se mantém até hoje

sexta-feira, 10 de abril de 2026

A Origem do Estado

    Para você ter segurança nos seus Contratos e suas propriedades você precisa de um intermediador e um garantidor, ache bom ou ruim, que atualmente é feito pelo Estado.

    Entender a Origem do Estado é um tema complexo, cheio de teorias, muitas vezes muito diferente uma das outras, mas vamos procurar seguir o melhor caminho para facilitar o entendimento.

    A palavra Estado vem do Latim, status, que significa "Situação", "Condição" ou "Posição".

    Vamos começar com duas perguntas, uma a respeito da época do aparecimento do estado e outra relativa aos motivos que determinaram ou determinam o surgimento dos estados.

    A denominação Estado aparece pela primeira vez em "O Príncipe" de Maquiavel, escrito em 1513 e é um argumento que muitos autores usam para dizer que não existia estado antes do século XVII

    Sob o pronto da Época do aparecimento do Estado, as várias teorias existentes podem ser reduzidas a três posições fundamentais:

  • O Estado sempre existiu, assim como a própria sociedade, pois desde que o homem vive sobrea a terra acha-se integrado numa organização social, dotada de poder e com autoridade para determinar o comportamento de todo grupo;
  • O Estado surgiu depois de um determinado tempo,  ele foi criado para atender às necessidades ou às conveniências dos grupos sociais e isso em período diferente e lugares diferentes, uma vez que foi aparecendo de acordo com as condições concretas de cada lugar;
  • O Estado surgiu no século XVII, pois no ponto de vista desses autores para se ter um estado precisa de certas características muito bem definidas e tem autor que define até a data específica, falando que teve início na assinatura da Paz de Vestfália, há outros autores que falam de outras datas também, mas é no mesmo período.
    Agora vamos ver os motivos da criação e juntando as duas teorias a da formação originária e a derivada.
    Dentro da formação originária nos temos:
  • Teorias que afirmam a Formação Natural ou Espontânea, não tendo elas uma coincidência quanto a causa, ma tendo todas em comum a afirmação de que o Estado se formou naturalmente, não por um ato puramente voluntário;
  • Teoria da Formação Contratual dos Estados, divergem entre si quanto as causas, a crença em que foi a vontade alguns homens, ou então de todos os homens, que levou à criação do Estado. De maneira geral os adeptos da formação contratual da sociedade é que defendem a tese da criação contratualista do Estado.
    Dentro do aparecimento do Estado de forma não-contratualista estão:

  • Origem Familial ou Patriarcal, nessa teoria cada família primitiva se ampliou e deu origem a um Estado;
  • Origem em Atos de Força, de Violência ou de Conquista, essas teorias sustentam, em síntese, que a superioridade de força de um grupo social permitiu-lhe submeter um grupo mais fraco, nascendo o Estado dessa conjunção de dominantes e dominados;
  • Origem em Causas Econômicas ou Patrimoniais, nessas teorias o Estado teria se formado para se aproveitar em os benefícios da divisão do trabalho, integrando-se as diferentes atividades profissionais, caracterizando-se, assim, o motivo econômico.
  • Origem no Desenvolvimento Interno da Sociedade, nessas teorias, é como se o estado estivesse incubado em todas as sociedades humanas e que só se apresenta quando as sociedades alcançam uma forma complexa, pois nesse momento elas têm a necessidade absoluta do Estado. Não há influência externa, mas o próprio desenvolvimento espontâneo da sociedade que dá origem ao Estado.
    Voltando na criação do estado de forma derivada, essa criação acontece a partir de um Estado preexistente e pode acontecer através de dois processos, união ou fracionamento.
  • Fracionamento, que ocorre quando uma parte do território de um estado se desmembra e passa a constituir um novo estado, como exemplo a gente tem as colônias na africa e da união soviética;
  • União de estado, acontece quando ocorre a adoção de uma constituição comum, desaparecendo os Estados preexistentes que aderiram a União

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Surgimento da Propriedade Privada

  Estudos de povos antigos mostram que nosso sistema econômico base é o comunismo, mas como chegamos ao estado atual, onde prevalece o individualismo, a propriedade privada e a economia de mercado?

Veremos aqui a criação da propriedade privada, ver como passamos de, tudo é de todo mundo, para, você  ter suas próprias coisas e ter o direito de ter mais que o seu colega devido ao seu trabalho e suas estratégias.

Vamos pegar a visão de 3 autores diferentes para consolidar o caminho a ser percorrido.

Primeiro, vamos falar do estudo de Friedrich Engels no seu livro "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado" que utiliza as pesquisas do antropólogo Lewis H. Morgan como base.

Morgan passou grande parte da vida entre os iroqueses, indígenas dos Estados Unidos e mostra para a gente a sua experiência com o provo em que o acolheu e também outras tribos ao redor do mundo.

O costume dos Iroqueses em relação a família era o seguinte, vigorava entre eles um tipo de casamento monogâmico que podia ser facilmente dissolvido por ambas as partes, designado por Morgan como "Família de um par", na prática isto significava que não havia um relacionamento fixo e uma mulher poderia se relacionar com vários homens e um homem poderia se relacionar com várias mulheres 
Além do povo em que foi criado, Morgan trouxe vários exemplos de famílias dos grupos tribais americanos e de outros continentes e traçou uma evolução delas onde havia comércio sexual irrestrito (promiscuidade)  até a família monogâmica atual.

Primeira evolução, Família Consanguínea, onde os irmãos e primos se relacionavam, fica proibido o relacionamento de pais e filhos.

Depois temos a Família Punaluana que exclui os irmãos dos relacionamentos, um grupo de mulheres se tornavam esposas de um grupo de homens e que devido as incertezas da paternidade a linhagem era transmitidas exclusivamente pela linhagem materna.

Depois a gente tem a Família Sindiásmica que é a formação de pares por um prazo curto ou longo. Um homem vive com uma mulher mas o vínculo é frágil e facilmente dissolvível, a poligamia é um direito masculino enquanto se exige fidelidade rigorosa da mulher, contudo e os filhos pertencem exclusivamente às mães, a economia doméstica permanece comunista, o que garante às mulheres uma posição de alta consideração e supremacia no lar

A grande transformação ocorreu com o surgimento da Família Monogâmica que não tem nada haver com espiritualidade ou causas biológicas, mas sim com a economia.

A domesticação dos animais criou uma riqueza, pois era possível ter mais que o necessário para sobreviver e pela divisão natural do trabalho o rebanho pertencia ao homem e ele querendo garantir que seus próprios filhos herdassem essas riquezas, precisava assegurar que os filhos eram realmente dele. 

Isso levou a derrubada do direito materno, descrita por Engels como a derrota histórica do sexo feminino.

A linhagem passou a ser contada pelo lado masculino e a autoridade masculina foi consolidada no lar.

Foi neste momento que surgiu a propriedade privada e com isso podemos ver que a propriedade privada está intimamente ligada a família monogâmica.

Com isso também surge o Estado que foi "Inventado" neste momento para garantir as riquezas recém adquiridas por indivíduos contra as tradições comunistas.

Para consolidar este conhecimento, pegando alguns estritos de outros atores, como Rousseau e Hernando de Soto, podemos ver que o caminho até termos uma propriedade privada é a acumulação de excedente ou quando um grupo consegue monopolizar um recurso crítico e tudo isso é legitimado pelo estado.

E assim surge a Propriedade privada.


O Êxodo Urbano Chinês

 A China construiu cidades que parecem o futuro, mas para a geração que deveria herdar esse futuro, o custo de entrada se tornou proibitivo....