8,8 trilhões de Reais, equivalente a 79% do PIB, esse é o valor da dívida pública do Brasil em fevereiro de 2026
Veremos a origem histórica da dívida pública, como é o seu funcionamento e os detalhes da dívida publica Brasileira.
A ideia de dívida pública é bem antiga, mas o primeiro caso organizado e contínuo de dívida pública como conhecemos hoje, costuma ser atribuído à República de Veneza, por volta do século XII.
Em 1171, Veneza precisava financiar guerras e despesas do Estado. Então o governo obrigou cidadãos ricos a emprestarem dinheiro, isso ficou conhecido como o sistema de “prestiti”.
Com o tempo, esses empréstimos passaram a pagar juros ser registrados oficialmente e puderam ser negociados entre pessoas, ou seja, ficou muito parecido com o que temos hoje.
A dívida pública funciona da seguinte forma, ela surge e aumenta sempre que o governo gasta mais do que arrecada.
Quando os impostos e as receitas não são suficiente para cobrir as despesas o governo faz um empréstimo com o mercado, seria algo como pegar dinheiro emprestado ou usar o cartão de crédito, se bem utilizada aumenta a riqueza futura do país se for mal utilizada, trás inflação, crise e perda de confiança.
O governo pega dinheiro emprestado emitindo títulos da dívida pública, basicamente, ele pega o dinheiro de um investidor hoje com a promessa de devolver esse dinheiro no futuro com juros.
Uma boa forma de utilizar dívida é quando o retorno do investimento é maior que o custo da dela, por exemplo, asfaltar uma rodovia, vai facilitar o comércio e com isso aumentar a arrecadação de impostos.
Além disso, é possível parcelar a dívida, no exemplo do asfalto da rodovia, se o valor é muito alto para pagar de uma só vez, com a criação da dívida, é possível parcelar o valor obra.
Dívida também é essencial para financiar guerras, visando garantir a soberania e estabilizar crises, pois evita desemprego em massa e falência em cadeia.
A forma incorreta de usar a dívida pública é pagar despesas sem retorno econômico, pois não gera crescimento, só aumenta o problema, usar dívidas para tudo, sem reformas e sem ajuste fiscal, isso costuma terminar em crise e utilizar pouca transparência, com má gestão e corrupção .
Mas, há uma porcentagem ideal do Produto Interno Bruto(PIB) que uma dívida pode ter?
Não existe um percentual "ideal" universal de dívida/PIB mas podemos encontrar algumas sugestões interessantes, embora na Europa a média de dívida pública seja de 88,2% do PIB no tratado de Maastricht estabeleceu que os países membros não deve exercer 60%.
Há uma um caderno de finanças públicas publicado pelo Tesouro Nacional Brasileiro em 2021 que fala que o nível ótimo de dívida pública deveria ficar entre 26 e 27% do PIB(https://publicacoes.tesouro.gov.br/index.php/cadernos/article/view/130).
Muitos economistas falam que não existe um número mágico, o que importa é a taxa de juros da dívida, crescimento da economia e confiança dos investidores.
Sendo a regra mais importante é se a economia cresce mais rápido que o juros da dívida, por exemplo, juros de 4% e crescimento de 6%, a dívida tende a cair ao longo do tempo.
Agora que tivemos uma visão geral sobre dívida publica, vamos ver a situação do Brasil.
O tamanho da dívida do Brasil é de 8,8 trilhões de reais atualmente, e a maior parte dela é interna isso é bom, maior parte dos países que quebram é por causa de dívidas em moedas estrangeiras.
Os títulos da dívida brasileira são comprados por diferentes tipos de investidores e o Tesouro Nacional divulga quem são eles, separando por grupos.
O maior grupo são bancos e instituições financeiras com 31,76%, para os bancos é um investimento seguro e rentável e para o governo, uma forma de conseguir dinheiro rápido.
O segundo grupo são fundos de pensão com 22,59%.
Os fundos de pensão administram o dinheiro de aposentadorias, é como se fosse um INSS, só que privado.
Esses fundos precisam garantir que lá na frente vão ter dinheiro suficiente para pagar as aposentadorias dos seus clientes. Então, para proteger esse dinheiro e fazer ele render, eles também compram títulos públicos. Afinal, o Tesouro Nacional é considerado um dos pagadores mais seguros do país.
O próximo grupo são fundos de investimento com 21,58%.
Esses fundos funcionam como um condomínio, várias pessoas colocam dinheiro ali e um gestor decide onde aplicar. Pode ser em ações, imóveis ou títulos públicos. Se você colocou dinheiro em um fundo de investimento, muito provavelmente parte dele foi emprestado para o governo. A ideia é a mesma: ter parte do dinheiro rendendo em um dos investimentos mais seguros do país.
O próximo grupo são investidores estrangeiros com 10,75%.
Aqui a gente tá falando majoritariamente de bancos e fundos internacionais e até governos de outros países que compram títulos da dívida brasileira. Mas por que eles fazem isso? Em parte porque eles querem diversificar os seus investimentos geograficamente, dividindo entre vários países. Aquela velha história de não colocar todos os ovos na mesma cesta, mas principalmente porque o Brasil costuma pagar juros muito mais altos do que os países desenvolvidos. E isso atrai investidores que estão em busca de retornos maiores, mesmo que para isso estejam correndo um risco maior.
O próximo grupo são seguradoras com 3,57%.
As seguradoras precisam estar sempre preparadas para pagar indenizações em caso de sinistro. Por isso, elas sempre têm bastante dinheiro em caixa. E para não deixar esse dinheiro parado, elas aplicam parte dele em investimentos seguros, como títulos públicos. que funcionam como um colchão de segurança para essas empresas.
Agora, o próximo grupo é governo com 2,57%.
Aqui, nesse caso, são órgãos públicos que emprestam dinheiro pro governo. Um exemplo prático é o FGTS, que é um fundo gerido pelo governo e formado por depósitos de empresas para, na teoria garantir os direitos dos trabalhadores.
Então, eles têm esse dinheiro disponível para investir e compram títulos públicos. Nesse caso, o FGTS, que é um órgão do próprio governo, passa a ser credor da dívida pública, porque na prática ele emprestou o dinheiro pro governo. E isso acontece também com fundos de previdência pública e outros órgãos públicos.
E o último grupo, o tesouro, classifica como outros, com 6,98%.
Aqui entram principalmente pessoas físicas e jurídicas que investem diretamente em títulos públicos, especialmente por meio do tesouro direto. Esse grupo também pode incluir pequenas empresas, entidades filantrópicas, cooperativas e outros investidores que não se enquadram em nenhum dos grupos anteriores. Ou seja, é um grupo bem variado.
Sobre a dívida, a verdade é que ter dívida por si só não é um problema. Praticamente todos os países têm dívida pública. O problema é quando a dívida não para de aumentar e começa a sair do controle, como tá começando a acontecer no nosso caso.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) nos alerta através de uma projeção, em relatório de abril de 2026, que a dívida pública bruta do Brasil alcançará a marca de 100% do PIB em 2027. Esse aumento é impulsionado pela piora no resultado primário e juros elevados, atingindo 96,5% do PIB em 2026 antes de chegar aos 100% no ano seguinte.
Imagine esse cenário, o governo gasta mais do que arrecada, então o governo emite dívidas, depois o governo gasta mais do que arrecada de novo e as dívidas anteriores vencem, então o governo emite mais dívida para pagar a dívida anterior e depois o governo gasta mais do que a recada de novo. Agora imagina esse ciclo se repetindo ano após ano. É assim que começa o efeito de bola de neve que faz a dívida pública sair do controle.
E por que isso é um problema? Porque cada vez mais dinheiro do orçamento vai para pagar juros da dívida. Em 2025, 53,4% do orçamento foi usado só para pagar juros da dívida pública. Sim, mais da metade do dinheiro arrecadado pelo governo, vai precisar ser usado para pagar juros de dívida. E aí sobra menos dinheiro para saúde, educação, segurança.
Outro problema é que uma dívida fora de controle também eleva o risco de uma crise fiscal, que é quando os credores passam a duvidar da capacidade do governo de pagar suas dívidas, o que, por sua vez, força o governo a emitir dívidas pagando juros cada vez mais altos para compensar o aumento na percepção de risco dos investidores. E isso faz a dívida sair do controle cada vez mais.
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